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  • 15 Abril
    Freitas e Sintrense num salto bem calculado

    André Freitas pretende provar o seu valor e tem agora a sua oportunidade

    Para um início de ciclo no Sintrense a escolha passou por um técnico em início de etapa – pelo menos no que ao futebol feminino diz respeito. Aos 28 anos, André Freitas é detentor de um percurso já vasto no qual fez a sua preparação através das mais diversas funções no futebol, principalmente enquanto observador e adjunto. Chegou agora a sua hora e a mudança é para ser feita de mãos dadas: o emblema de Sintra que alterou hábitos e métodos na época de estreia na III Divisão – já levava vários anos de caminho na II Divisão – e o técnico está pronto para mostrar o que realmente vale.

    “É o meu primeiro ano como treinador principal a nível de escalão sénior, portanto antes de fazer uma abordagem à minha introdução no futebol feminino tenho de introduzir a minha entrada num escalão sénior. Essa é a principal parte, deixamos de estar num segundo plano, onde sentia que podia por vezes fazer algo melhor do que os treinadores que estavam lá, não quero com isto dizer que estivessem a fazer um mau trabalho mas já queria pôr as minhas ideias em prática e saber se elas resultavam ou não, se eram boas ou não, para este ano que acho ser o momento para mim,” declara, convicto.

    Até ao momento, com três partidas já realizadas a experiência tem sido, para já, altamente positiva: “homens já feitos tentam perceber até onde podem ‘esticar um pouco mais a corda’ e com as jogadoras no feminino acho que isso não acontece. São muito mais receptivas a aprender, muito melhores ouvintes que os homens, obviamente que a intensidade também se calhar, por si só, seja um pouco menor, nota-se na capacidade de jogo que o ritmo e a intensidade são menores mas depois há outras qualidades que sobressaem muito em relação ao futebol masculino,” assim estabeleceu a comparação.

    Jovem treinador reconhece o contexto “diferenciado” de onde provém – mas não se esconde

    “Todas as experiências me tornam melhor treinador, não é uma só experiência, são várias e todas as experiências servem para adquirirmos estímulos diferentes com pessoas diferentes e isso é sempre uma mais-valia para tudo o que temos e obviamente que estar num contexto de Campeonato Nacional em seniores quando no ano passado se treinava infantis, num contexto muito menos competitivo, sim, há diferença, claro que sim, é algo de muito diferente e mesmo em contexto de juniores eles já são praticamente homens, mas a distrital o que vai ser a competição em si é diferenciado,” completou.

    O salto foi grande…mas foi bem calculado e André Freitas reconhece ter existido “uma grande coragem por parte do Sport União Sintrense em fazer uma aposta num treinador tão jovem e se calhar com pouca experiência no contexto em que é comparado com outros treinadores que poderiam haver, é definitivamente um golpe de coragem por parte do clube que ao contrário de muitas equipas preocupa-se em contratar pessoas com algum conhecimento de futebol e não só pelo nome que têm no futebol. O projecto mais importante é o presente, o do SU Sintrense com objectivos bem definidos a dois anos.”

    Técnico principal do Sintrense apresentou a equipa técnica que o acompanha nesta etapa

    “Com a ajuda dos directores, como é óbvio, vamos criar uma aposta no que são os treinadores mais jovens e podemos ter um treinador como eu, que vem de um contexto que não é de Campeonato Nacional, a poder ter uma equipa à sua disposição para poder trabalhar e evoluir de forma a conseguir alcançar os objectivos que são os de subida de divisão e não simplesmente ir buscar treinadores que estão rotinados a trabalhar com equipas que estão há muitos anos, que têm uma metodologia mais antiga ou que possa não ser tão desenvolvida. É mesmo um golpe de coragem,” elogia.

    “Atrás de mim tenho uma equipa técnica também com vontade de trabalhar e que dedicam muito do seu tempo que retiram à família, aos seus trabalhos, para poderem estar connosco, portanto acho que fará também todo o sentido referir toda a equipa técnica: o Gonçalo Távora como preparador físico e treinador adjunto, Olívio como treinador adjunto principal, o Gonçalo Palminha como team manager e observador e o Tiago, ou Bart, como lhe chamamos, como treinador de guarda-redes e analista de jogo. Esta é a equipa técnica do Sport União Sintrense para 2020/2021,”
     assim apresentou a equipa que o acompanha.

    E este Sintrense 2020/2021, treinado por André Freitas, já conheceu os três resultados: entrou a perder, na pré-eliminatória da Taça de Portugal ante o Almada, empatou com o CP Pego na estreia no campeonato e goleou em Ponte Frielas. O percurso de ascensão parece ter começado, mas o técnico deixa um alerta para concluir: “não podemos querer dar um passo maior que a perna e é importante não deixarmos escapar o nosso objectivo para este ano que infelizmente, por um infortúnio de uma nova divisão, fomos relegados para uma III Divisão e não nos é permitido estar numa última divisão.”

    Rafael Reis - Lado F
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